Capítulo IV
Em Macapá, Adamor estudou na Escola Normal e depois no Colégio Amapaense. Não tinha instrumento próprio — um vizinho chamado Marcelino lhe emprestava um cavaquinho. Começou a frequentar a casa de Jaci do Pacheco, um garoto baixinho que tocava cavaquinho e que havia visto num programa de auditório na Rádio Difusora.
Para poder sair de casa à noite sem conflito com a mãe, Adamor virou católico praticante — dizia que ia às novenas. Na verdade ia tocar com os amigos. Certo dia o amigo fez uma inscrição no programa de calouros da Rádio Difusora apenas no nome de Adamor, sem avisá-lo. Quando chamaram "Adamor Lobato" para tocar cavaquinho, ele quase fugiu do auditório.
"Subi nervoso ao palco. Tremia muito. Tocamos 'Brasileirinho', acompanhado por músicos experientes. O público começou a pedir bis, mas eu só sabia tocar aquela única música."
Deu tudo certo. No fim ganhou o concurso e recebeu duzentos cruzeiros — o primeiro cachê. Quando chegou em casa, o pai havia escutado tudo pelo rádio e ficou profundamente emocionado. Adamor tinha dezessete anos.
Em 1960 serviu ao Exército — os próprios superiores o liberavam para ensaios e apresentações na rádio. Tudo que sabia era de ouvido. O tio Firmilino lhe ensinara dois acordes. O resto foi descobrindo sozinho, da única maneira que conhecia: escutando, errando, tentando de novo.