Capítulo VIII
Antes de falar dos discos, há um episódio que Adamor faz questão de deixar registrado: ele criou a bandeira e o brasão do município de Anajás.
O prefeito Alcides Pinheiro o procurou com urgência — um aluno do município iria a Brasília representar Anajás e precisava levar a bandeira. Adamor explicou que normalmente seria preciso concurso público, edital, processo oficial. O prefeito disse que não havia tempo.
Adamor passou a noite pensando. No outro dia tinha a ideia: pegou a estrela da bandeira do Pará, colocou sobre ela o contorno da Ilha do Marajó e, dentro, inseriu elementos de Anajás — o forte de Anajás — que ainda tinha ruínas à época, com seus canhonetes que serviam de defesa contra invasores no tempo dos coronéis, e que Adamor chegou a conhecer pessoalmente, reconhecendo sua importância histórica; folhas de seringueira, representando a riqueza da borracha, abundante em Anajás; e folhas de açaizeiro, representando a riqueza da região. Enquanto desenhava, Adamor estava na Ferragem — a loja do pai, única do gênero na cidade, que vendia peças variadas. Foi então que entrou seu amigo Alfredo Fernandes, que apenas cobriu as linhas que Adamor já havia traçado. Nada além disso. Mas quando a bandeira foi oficializada, passaram a divulgar que ele era coautor.
"Quero deixar claro: eu sou o único autor da bandeira e do brasão de Anajás. Não quero tirar mérito de ninguém, apenas evitar que tirem o meu mérito. A concepção inteira foi minha."
Dito isso, voltamos aos discos.