Capítulo XVI
Em novembro de 2010, Adamor do Bandolim se apresentou no SESC de Rio Branco, Acre, como parte do circuito Amazônia das Artes. Na cidade estava também um bandolinista carioca radicado no Acre — Tony do Bandolim. Mas os dois não se encontraram. Tony estava envolvido naquele dia com outra batalha: como presidente da COMAC — Cooperativa de Músicos do Acre — organizava o primeiro e único Seminário de Cooperativismo Musical do Brasil. Ficou sabendo que havia um chorão do Pará na cidade, sentiu curiosidade e ficou com uma chateação consigo mesmo por não ter ido. O nome de Adamor ficou em algum lugar da memória, sem endereço certo.
Catorze anos se passaram. O que trouxe os dois para a mesma conversa não foi o acaso, mas um amigo em comum de Rondônia — que conhecia o trabalho de Tony, havia pedido sua ajuda para um projeto de intercâmbio musical, e numa dessas conversas falou de Adamor. Passou o número. Tony mandou mensagem. Adamor respondeu.
Dois geminianos, dois bandolinistas autodidatas que aprenderam pelo ouvido, dois homens que não têm paciência para perder tempo — a conversa tomou velocidade imediatamente. Logo estavam falando todos os dias, às vezes três vezes no mesmo dia, sobre choro, sobre Amazônia, sobre o que faltava ser feito. E o que faltava, perceberam, era uma estrutura: uma casa para o choro amazônico que garantisse continuidade, formação e conexão entre os músicos espalhados por uma região continental.
Em 2024, o Instituto Choro da Amazônia foi fundado. Adamor é cofundador e conselheiro — não por protocolo, mas porque a história do ICA não faz sentido sem a história dele. A instituição nasce com abrangência de oito estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e São Paulo. Sua missão: promover, preservar e difundir o choro na Amazônia, conectando gerações, formando novos músicos, documentando repertórios.
Tudo começou num show que Tony não foi ver. As histórias reais costumam começar assim.