Capítulo XIII

Minha Lavra e Vertentes

Em 2017 lançou Minha Lavra. A história começa quando a flautista Alônia Ferreira — Alônia do Choro do Pará — procurou Adamor para que cedesse algumas músicas suas para um álbum que ela iria gravar. O projeto havia sido aprovado. Adamor imaginou que seriam duas, três ou quatro músicas no máximo. Para sua surpresa, Alônia disse que seriam todas as suas músicas. Adamor tinha 13 composições disponíveis. Partiram para os ensaios e gravaram as 13 músicas, todas acompanhadas pelo grupo Engole o Choro, formado por alunos do Projeto Choro do Pará. Houve um erro crasso na arte da capa: o nome de Adamor foi omitido. Como não havia verba para refazer as capas, a solução foi colar uma etiqueta com seu nome sobre o disco. Pela capa, a impressão que fica é de que o disco é todo do grupo Engole o Choro — quando na realidade todas as músicas são de Adamor, apenas acompanhadas pelo grupo.

"Eu faço questão de deixar isso registrado para a história. As músicas são todas minhas."

O título vem de uma metáfora que Adamor carrega. O caboclo lavra a terra — planta, cuida, colhe. Adamor lavra o choro: retrata a realidade do ribeirinho, do caboclo, da região onde foi criado. É um trabalho que nunca termina e que nunca para, porque a terra pede.

O Vertentes, de 2022, saiu com sete faixas — menos do que o habitual, porque a pandemia atrasou tudo e o orçamento ficou curto. Veio de uma emenda parlamentar de R$ 50.000. Deveria ter saído em 2019. Saiu quando pôde, como sempre foram as coisas na vida de Adamor: não na hora certa, mas na hora possível. E possível sempre foi suficiente.

Do Igarapé do Limão para o Mundo Cap. XIII
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