Apresentação

O Rio que Não Para

Há histórias que pedem para ser contadas. A de Adamor Lobato Ribeiro é uma delas — e ela ficaria perdida se dependesse apenas dos palcos, dos discos e das reportagens esparsas que ao longo de décadas tentaram capturar um pedaço daquilo que ele é.

Este livro nasceu de uma série audiovisual. Em 2022, Adamor sentou diante de uma câmera em Belém e passou nove episódios falando sobre a sua vida — com a clareza, a franqueza e o humor de quem não tem tempo a perder e sabe exatamente o que viveu. O material que ficou gravado é de uma riqueza que não cabia numa tela. Precisava de página.

Eu não estava lá. Conheci Adamor anos depois, por um caminho torto como costumam ser os caminhos que levam a amizades verdadeiras: um amigo em comum de Rondônia, um número de telefone passado quase por acaso, e de repente dois geminianos cheios de ideias trocando mensagens três vezes por semana como se se conhecessem há vida inteira. Ainda não nos vimos pessoalmente. Mas já sei como ele pensa, o que o alegra, o que o incomoda, o que o faz rir — e sei, acima de tudo, o quanto essa história merece existir em forma de livro.

O que você vai ler aqui é fiel ao que Adamor contou. As falas entre aspas são dele — tiradas da série, ou das conversas sobre os netos, os tesourinhos Ravi e Greta, e o chegadinho Benjamim. O que está fora das aspas é a tentativa de dar a essa vida a forma narrativa que ela merece: não um currículo, não uma homenagem protocolar, mas uma história com começo, com luta e com a beleza rara de um homem que nunca desistiu do que quis ser desde os seis anos de idade.

A Parte 2, com as partituras transcritas, virá quando os cadernos estiverem prontos. Por ora, fica a história. Fica o rio.

Tony do Bandolim

Rio Branco, Acre, 2026

Do Igarapé do Limão para o Mundo iv
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